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Divisão de bens, a decisão sobre a guarda dos filhos, a queda dos recursos financeiros e a mudança no círculo de amigos são algumas das consequências enfrentadas por pessoas que passam pelo divórcio.

Segundo o bispo e psicanalista, Dr. Luiz Henrique de Paula, o divórcio afeta emocionalmente todos os envolvidos: "Gera a insegurança no casal, principalmente diante do novo, sem falar na questão financeira, que é um grande agravante. Acredito que principalmente as crianças são afetadas com o divórcio e apresentam normalmente agressividade, medos, dores e até regressão no desenvolvimento".

A terapeuta Alda Fernandes , conselheira cristã e ex-esposa do pastor Caio Fábio de Araújo Jr. , reitera a opinião de Luiz Henrique:  "Mesmo quando o divórcio é amigável ainda é traumático porque 'alguma coisa não deu certo'. Fica sempre um pouco de frustração, culpa, mágoa, que convergem para uma postura amargurada, de baixa autoestima, depressão etc".

Nesse contexto, a Igreja pode ter um papel importante na vida de seus membros: "Entendo que o pastor deve acompanhar o casal, antes, durante, e depois do divórcio. Orientar membros da igreja para aproximarem-se deste casal", afirma o pastor Fausto Brasil, idealizador do Ministério Apoio, que trabalha desde 1996 com cristãos solteiros, viúvos e divorciados.

A Igreja e o divorciado

A advogada Alexandra Bitencourt conta que suas idas à igreja já não eram frequentes no fim de seu casamento. Mas, foi durante o processo do divórcio que ela foi apresentada a outra denominação e passou a frequentá-la assiduamente: "Hoje a minha restauração, cura, e a 'alegria da segunda casa' [novo casamento] só foram possíveis em minha vida porque me agarrei com 'unhas e dentes' em primeiro lugar a Jesus Cristo e em segundo lugar à igreja".

Quando questionada a respeito de preconceito por parte de sua antiga igreja em relação a seu novo estado civil, Alexandra diz não ter sofrido isso: "O que eu senti em algumas pessoas foram olhares de 'piedade', do tipo: 'coitada, não merecia isso'".

Porém, o pastor e terapeuta familiar, Dr. Silmar Coelho, admite que há discriminação da Igreja a pessoas divorciadas: "Preconceito existe não somente para com os divorciados. Todos os assuntos que as pessoas não compreendem muito bem produzem medo; a maioria quando não sabem lidar com uma situação ou fogem dela, ou a veem com suspeita".

De acordo com o Pr. Brasil, líder do ministério Apoio, os preconceitos dos membros são frutos da posição da Igreja em relação ao assunto: "Quanto mais rígida, mais preconceitos os divorciados vão experimentar, independente do porquê ocorreu seu divórcio", disse.

Líderes espirituais têm influência para mudar a visão dos membros sobre o divorciado. O pr. Coelho crê que divorciados devem ser tratados da mesma forma que os demais na Igreja: "com amor, paciência, ouvindo e aconselhando, não fazendo pré-julgamentos, não permitindo que elas sejam discriminadas, encarando o problema e o solucionando, e nunca esquecendo que somos pastores não somente daqueles que aparentemente não têm problema algum, mas também dos que aparentemente são problemáticos".

Deixando os ministérios

"Uma irmã, certa vez, queixou-se comigo: 'Pastor, meu marido me traiu, me abandonou, divorciou-se, minha vida desmoronou e a igreja, na mesma semana, me retirou de minhas atividades, com uma única justificativa: porque eu agora era divorciada'", testemunhou o pr. Fausto Brasil.

A separação do casal pode ser o motivo usado por muitas igrejas para o afastamento dos divorciados de seus cargos ministeriais. O Dr. Luiz de Paula acredita que essa atitude é necessária: "Penso que de imediato sim, até para preservá-las e depois de serem tratadas poderão voltar a seus cargos - dependendo do cargo. Para integrá-las precisa ser feito um trabalho lento, um retorno devagar, e com acompanhamento de seus líderes", acredita.

A terapeuta Alda Fernandes concorda que em determinadas situações a distância do ministério é necessária: "Devemos lembrar que a pessoa quando está passando por um divórcio nem sempre está inteira para se dedicar a um cargo ou um ministério, está fragilizada e precisando de ajuda na sua reestruturação emocional, familiar, pessoal e até material, por isso minha sugestão é que ela se afaste voluntariamente para poder cuidar de si mesma e dos implicados - no caso dos filhos - por um período. Por outro lado, uma atividade em que a pessoa se dedica como líder exemplar pode ser de grande valia nesse momento conturbado. A pessoa, muito mais que a igreja, deve ter bom senso para saber tomar essa atitude ou acatar de bom grado a decisão da igreja se esta tiver esse objetivo".

De acordo com o pr. Silmar Coelho, determinadas posições de liderança na Igreja não podem ocupadas por membros divorciados: "A Bíblia é muito clara nesse assunto, quando afirma que o líder tem que ser marido de uma só mulher. Creio no perdão de Deus. Não acredito que Deus queira que a pessoa que errou pague pelo erro durante toda a vida. Porém, há certas posições na igreja que exigem que o líder seja irrepreensível. Além disso, é preciso saber se ele divorciou-se antes de estar na igreja ou se o divórcio aconteceu depois da pessoa conhecer a Palavra".

Fausto Brasil, no entanto, afirma que o arrependimento e a graça de Deus são suficientes para que uma pessoa divorciada ocupe algum cargo de liderança: "Não creio que divórcio seja um pecado imperdoável, como alguns acreditam. Creio que a graça de Deus é suficiente para perdoar um coração arrependido e restaurar uma vida. Entendo que o desqualifica uma pessoa, não é seu estado civil, mas a distancia que está de Deus".

Para a Dra. Alda, o divórcio não é um pecado: "Tem muita gente casada maltratando mulher ou marido e filhos, com cargos e mistérios;  muita gente casada adulterando e mantendo os ministérios; muita gente casada semeando discórdia, fofoca, manipulando outros e se aproveitando da ingenuidade do próximo, com ministério. O líder deve ser julgado pela sua coerência independentemente do seu estado civil".

A advogada Alexandra Fernandes entende que há a necessidade de que pastores e líderes estejam preparados para acolher pessoas divorciadas: "Entendo que em primeiro lugar é preciso sair da teoria para prática, com a preparação dos pastores, dirigentes e membros das igrejas para receber, acolher, ajudar e fazer parte integrante no auxílio da recuperação dessas pessoas".

"Há muitos divorciados, que não se sentem amados, valorizados, e sentem-se à parte da Igreja. Precisamos incluí-los em nossas orações, em nossas mensagens e programações", aponta o pastor Fausto Brasil.

Fonte: Guia-me
Última atualização ( Qua, 24 de Fevereiro de 2010 19:48 )  

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